Desenvolvimento e Validação de um Produto Inovador
Uma bolsa inovadora que integra iluminação interna por LED e porta USB para recarga de dispositivos móveis, combinando design funcional, tecnologia e conveniência em um único produto.
LED integrado para facilitar a localização de objetos
Porta USB para recarga de dispositivos móveis
Alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Bolsa Inteligente
O desenvolvimento de novos produtos é um processo complexo que envolve compreensão profunda das necessidades dos consumidores, análise de mercado, inovação tecnológica e validação prática. Este trabalho apresenta o processo de desenvolvimento e validação da Bolsa Mi Power, um produto inovador que integra funcionalidades tecnológicas em um acessório de moda.
Segundo Kotler e Keller (2012), o desenvolvimento de novos produtos constitui um dos principais instrumentos para que as organizações se mantenham competitivas e atendam às demandas de um mercado em constante transformação. Esse princípio aplica-se a diversos setores, incluindo moda e tecnologia, que frequentemente se combinam para gerar soluções inovadoras e adaptadas às novas necessidades dos consumidores.
O mercado global de bolsas e acessórios é um segmento significativo da indústria de moda, movimentando bilhões de dólares anualmente. De acordo com a Mordor Intelligence (2023), o mercado global de bolsas foi estimado em US$ 74,19 bilhões em 2023 e deve alcançar US$ 106,50 bilhões até 2028, com crescimento médio anual (CAGR) de 7,5%. Esse cenário revela um segmento em expansão e reforça o potencial de inserção de produtos diferenciados, como a Mi Power.
No contexto brasileiro, o Sebrae (2025) destaca que a cadeia produtiva de bolsas e acessórios possui grande relevância econômica: o setor emprega cerca de 50 mil pessoas, movimenta um PIB estimado em US$ 3,5 bilhões e reúne aproximadamente 10 mil indústrias, responsáveis por mais de 500 mil empregos e receitas superiores a US$ 21 bilhões anuais. Esses dados demonstram a força desse mercado e a oportunidade para produtos que unam estética, tecnologia e funcionalidade.
As transformações tecnológicas e sociais têm modificado significativamente o comportamento do consumidor, que valoriza cada vez mais produtos que proporcionem praticidade, conectividade e autonomia. A popularização dos smartphones intensificou a necessidade de energia móvel e de acessórios que facilitem a rotina urbana. Nesse contexto, surge a Mi Power, uma bolsa inovadora que integra iluminação interna por LED e porta USB para recarga de dispositivos móveis, combinando design funcional, tecnologia e conveniência em um único produto.
A concepção da Mi Power remonta a uma observação cotidiana: a dificuldade de localizar objetos dentro de bolsas em ambientes de baixa luminosidade. Essa ideia, inicialmente concebida há cerca de duas décadas, foi retomada em 2024 após constatar-se que, mesmo com o avanço tecnológico, essa necessidade ainda persistia.
Uma investigação preliminar identificou que, embora existam produtos semelhantes no exterior, o mercado brasileiro ainda apresenta escassez de soluções com essa proposta, evidenciando uma oportunidade para inovação incremental e acessível.
Segundo Schumpeter (1985), a inovação se manifesta não apenas na criação de algo inédito, mas também na recombinação de elementos já existentes de forma a gerar novo valor. De forma complementar, Porter (1989) ressalta que a diferenciação constitui uma estratégia competitiva essencial, capaz de criar valor exclusivo para o cliente e reduzir a vulnerabilidade frente à concorrência. Assim, a Mi Power representa uma inovação funcional que incorpora tecnologia ao cotidiano de forma prática.
Este trabalho tem como objetivo principal validar a viabilidade técnica e mercadológica da Bolsa Mi Power através de:
Além disso, formula-se a seguinte questão de pesquisa: é viável, do ponto de vista técnico e mercadológico, o produto inovador Mi Power no contexto do mercado brasileiro, considerando critérios de competitividade e sustentabilidade?
Os objetivos específicos incluem compreender o comportamento e necessidades do público-alvo no consumo de produtos tecnológicos e funcionais; analisar o posicionamento competitivo e o modelo de negócio; avaliar a viabilidade técnica e funcional do protótipo; examinar a percepção de valor e usabilidade entre potenciais consumidores; estimar custos, margens e cenários de preço; e identificar requisitos de segurança elétrica aplicáveis ao produto.
Este documento está estruturado em sete capítulos principais:
Além dos aspectos técnicos e mercadológicos, este estudo também considera o contexto sociocultural e as transformações no comportamento de consumo, que revelam uma crescente valorização de produtos que conciliem funcionalidade, inovação e responsabilidade socioambiental. A moda sustentável consolida-se como tendência, com consumidores cada vez mais atentos à origem, durabilidade e propósito dos produtos (ABIT, 2022), alinhando-se aos princípios da Agenda 2030 da ONU (2015).
Dessa forma, a relevância deste estudo se justifica em três dimensões: mercadológica, ao identificar um nicho ainda pouco explorado; estratégica, ao propor um produto que integra tecnologia e sustentabilidade; e acadêmica, ao articular teoria e prática no desenvolvimento e validação de produtos inovadores.
O desenvolvimento de um novo produto exige não apenas criatividade e viabilidade técnica, mas também embasamento teórico que sustente as decisões estratégicas adotadas. Assim, este capítulo apresenta os principais conceitos que fundamentam o projeto da Mi Power, relacionando marketing, comportamento do consumidor, inovação, estratégia competitiva e modelos de negócios.
Inicialmente, discute-se o papel do marketing e do comportamento do consumidor na identificação de necessidades e desejos que originaram a proposta do produto. Em seguida, aborda-se a inovação e o desenvolvimento de novos produtos, considerando autores clássicos como Schumpeter e Tidd e Bessant. Na sequência, analisam-se estratégias de diferenciação e vantagem competitiva, com base em Porter e Barney, e o posicionamento da Mi Power entre empresas inovadoras e seguidoras.
Por fim, são apresentados modelos de negócios e ferramentas de análise, como Business Model Canvas, SWOT e Benchmarking, que contribuem para a compreensão da viabilidade mercadológica do produto. Dessa forma, este capítulo articula conceitos teóricos e sua aplicação prática, servindo como base para as análises desenvolvidas nas seções posteriores.
O conceito de produto vai além do bem material ou do serviço oferecido. Está relacionado também ao valor que o consumidor atribui a esse bem, seja de forma objetiva ou subjetiva. Dependendo do seu estado emocional e da urgência da necessidade, o consumidor pode desejar adquirir o produto de imediato e, nesse processo, enfrenta dois questionamentos principais: se deve esperar até que o produto esteja compatível com o valor que está disposto a pagar e se, de fato, o produto entregará o benefício que ele busca.
De acordo com Kotler e Keller (2012), o produto em marketing não se restringe ao objeto físico, mas inclui os benefícios percebidos pelo consumidor e sua capacidade de satisfazer suas necessidades e desejos. Solomon (2011) complementa ao afirmar que compreender o comportamento do consumidor é essencial para o desenvolvimento de novos produtos, já que envolve o estudo de como as pessoas selecionam, compram, utilizam e descartam bens e serviços.
No caso da Mi Power, identificou-se uma necessidade recorrente dos consumidores: a dificuldade de encontrar objetos dentro da bolsa em ambientes com pouca luz e a falta de locais para carregar o celular fora de casa. Assim, entende-se que a principal demanda desse público não é a bolsa em si, mas a praticidade, a conveniência e a solução funcional para esses problemas do cotidiano.
Muitos produtos são constantemente reinventados e modificados para atender às demandas do mercado. Nesse contexto surgem as inovações, que podem ser classificadas principalmente em dois tipos: incrementais e radicais. A inovação incremental ocorre quando um produto já existente recebe melhorias ou novas funcionalidades, mantendo sua essência original. Já a inovação radical envolve a criação de algo totalmente novo, capaz de transformar mercados e comportamentos, geralmente impulsionada por avanços tecnológicos.
Schumpeter (1985) afirma que a inovação se caracteriza pela introdução de novos produtos ou pela combinação inédita de funcionalidades que geram valor para o mercado. De forma complementar, Tidd e Bessant (2008) destacam que a inovação radical cria soluções completamente novas, enquanto a inovação incremental aprimora soluções já existentes.
Nesse sentido, a Mi Power pode ser classificada como uma inovação incremental, pois combina elementos já existentes, como a bolsa tradicional, luzes LED e carregador USB, em um único produto mais funcional. Essa combinação busca atender necessidades reais dos consumidores, unindo praticidade, tecnologia e design.
A busca por vantagem competitiva pode ocorrer por meio de diferentes tipos de recursos dentro da organização. Entre os recursos físicos, destacam-se máquinas, equipamentos, tecnologias e estruturas produtivas. Já nos recursos humanos, incluem-se conhecimentos, habilidades, experiência dos colaboradores, reputação, cultura organizacional e construção de valor de marca.
Conforme a Visão Baseada em Recursos (RBV), uma vantagem competitiva só é sustentável quando os recursos são valiosos, raros, difíceis de imitar e insubstituíveis, ou seja, atendem ao modelo VRIO (Barney, 1991). Assim, quanto mais exclusivos e protegidos forem esses recursos, maior será a capacidade da empresa de manter-se competitiva ao longo do tempo.
Para Porter (1989), a diferenciação é uma das estratégias mais eficazes para alcançar vantagem competitiva sustentável, pois permite oferecer atributos únicos que diminuem a vulnerabilidade frente aos concorrentes. Nesse sentido, não se trata apenas de oferecer um produto, mas de entregar valor percebido e difícil de ser copiado.
A Mi Power busca se posicionar por diferenciação ao combinar, em um único produto, elementos de design, funcionalidade e tecnologia. Ao integrar iluminação interna por LED, porta USB para carregamento de dispositivos móveis e um design esteticamente atrativo, a proposta se apresenta como inovadora em um nicho pouco explorado no Brasil. Essa combinação representa uma estratégia de criação de valor difícil de ser replicada de forma imediata pelos concorrentes, atendendo aos princípios competitivos discutidos por Porter (1989) e Barney (1991).
No ambiente empresarial, é possível classificar as organizações quanto à sua postura diante da inovação em dois grandes grupos: empresas inovadoras e empresas seguidoras.
As empresas inovadoras se destacam por introduzir novos produtos, serviços ou processos no mercado, muitas vezes inaugurando segmentos inteiros. Essas organizações assumem riscos mais elevados, pois investem de maneira contínua em pesquisa e desenvolvimento (P&D), buscando liderar transformações tecnológicas e mercadológicas (Schumpeter, 1985).
Por outro lado, as empresas seguidoras adotam uma estratégia de observação e aperfeiçoamento das inovações existentes. Em vez de lançar algo totalmente original, essas organizações aprimoram soluções já testadas no mercado, adaptando-as ao contexto local, reduzindo custos e riscos de insucesso. Tidd, Bessant e Pavitt (2008) destacam que esse posicionamento pode gerar ganhos competitivos importantes ao combinar eficiência, menor investimento inicial e foco nas necessidades específicas dos consumidores.
No caso da Mi Power, observa-se que bolsas com carregadores e iluminação interna já são comercializadas em outros países. Dessa forma, a marca pode ser caracterizada como uma seguidora estratégica, cuja atuação consiste em adaptar uma inovação existente ao mercado brasileiro, considerando fatores como preferências culturais, materiais, preço final, logística, design e atendimento ao consumidor.
Portanto, a Mi Power enquadra-se em uma estratégia de inovação incremental, definida pela OCDE (2018) como aquela que aprimora produtos já existentes, agregando melhorias funcionais e aumentando sua relevância para o público-alvo.
Para a validação e estruturação de uma ideia de negócio, é essencial recorrer a ferramentas analíticas que auxiliem na sua compreensão e desenvolvimento. Essas ferramentas permitem identificar os elementos estratégicos do empreendimento, compreender sua proposta de valor e visualizar as relações entre os diversos componentes que sustentam o modelo de negócios.
Entre as ferramentas mais reconhecidas, destaca-se o Business Model Canvas (BMC), desenvolvido por Osterwalder e Pigneur (2011), que possibilita representar de forma visual como uma empresa cria, entrega e captura valor. O modelo é composto por nove blocos que descrevem, de maneira integrada, aspectos essenciais do negócio: proposta de valor, segmentos de clientes, canais, relacionamento com clientes, fontes de receita, recursos-chave, atividades-chave, parcerias principais e estrutura de custos.
De acordo com Kotler e Keller (2012), compreender a lógica de criação de valor de uma organização é fundamental para o sucesso de qualquer estratégia de marketing, uma vez que o modelo de negócio orienta as decisões sobre posicionamento, diferenciação e geração de vantagem competitiva.
Além do Canvas, outras ferramentas complementares contribuem para o entendimento e o aprimoramento do modelo de negócio. A Análise SWOT (ou Matriz FOFA), segundo Kotler e Keller (2012), permite identificar as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças associadas a um produto ou empresa, funcionando como base para o planejamento estratégico.
O Benchmarking, conforme Camp (1998), constitui uma técnica de gestão voltada para a comparação sistemática de produtos, serviços e processos com os de organizações consideradas referência, promovendo aprendizado e melhoria contínua.
Por fim, a construção de personas é uma ferramenta amplamente utilizada no design e no marketing para representar, de forma semifictícia, perfis de clientes-alvo. O conceito foi introduzido por Cooper (1999) no contexto do design de interação e, segundo Solomon (2016) e Kotler e Keller (2012), auxilia na compreensão do comportamento do consumidor, suas motivações e expectativas, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes e centradas no usuário.
Essas ferramentas, quando utilizadas de maneira integrada, permitem uma análise abrangente da viabilidade e coerência de um novo produto no mercado. Assim, servem de base para a aplicação prática apresentada nas seções posteriores, onde serão adaptadas ao contexto específico do projeto Mi Power.
A sustentabilidade e a responsabilidade social corporativa tornaram-se dimensões essenciais para a competitividade organizacional. O conceito de Triple Bottom Line, proposto por Elkington (1998), integra as dimensões econômica, social e ambiental como pilares indissociáveis do desempenho empresarial.
Complementarmente, Carroll (1991) amplia a visão da responsabilidade social ao incluir obrigações econômicas, legais, éticas e filantrópicas, enfatizando que o comportamento responsável deve permear todas as ações empresariais.
No contexto dos negócios contemporâneos, espera-se que as empresas incorporem práticas sustentáveis em toda a cadeia produtiva, priorizando fornecedores éticos, uso racional de recursos naturais e produtos de maior durabilidade.
Esses princípios orientam também o desenvolvimento do produto Mi Power, cuja proposta valoriza a durabilidade dos materiais, a eficiência energética e o potencial de impacto social positivo. Tais aspectos dialogam diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU (2015), especialmente os ODS 7 (Energia limpa e acessível), ODS 9 (Indústria, Inovação e Infraestrutura), ODS 8 (Trabalho decente e crescimento econômico), ODS 10 (Redução das desigualdades) e ODS 12 (Consumo e produção responsáveis).
A aplicação prática desses princípios será detalhada posteriormente, quando discutidas as decisões de design, fornecedores e estratégias produtivas adotadas no desenvolvimento da Mi Power.
A metodologia adotada neste trabalho foi estruturada em três etapas complementares: (i) pesquisa de mercado exploratória, (ii) aplicação de ferramentas analíticas de modelagem de negócios e (iii) teste de usabilidade do protótipo. Essa sequência permitiu compreender o comportamento do consumidor, validar a proposta de valor do produto e observar sua funcionalidade prática.
Para validar a ideia de negócio, foi realizada uma pesquisa de mercado por meio de um formulário elaborado na ferramenta Google Forms. A pesquisa, aplicada em agosto de 2024, utilizou a metodologia bola de neve, na qual o questionário foi inicialmente compartilhado com grupos de WhatsApp compostos por estudantes e professores residentes em São Paulo. O link também foi enviado para contatos do empreendedor e para grupos institucionais de professores do Senac-SP. Após responderem à pesquisa, os participantes puderam indicar outras pessoas, ampliando o alcance da amostra. Ao todo, foram obtidas 257 respostas válidas.
A pesquisa possui caráter exploratório e descritivo, buscando compreender o comportamento dos consumidores em relação ao uso de bolsas com funcionalidades tecnológicas, como iluminação interna e recarga de dispositivos eletrônicos. Segundo Gil (2017), esse tipo de estudo é adequado quando o fenômeno ainda é pouco investigado, permitindo identificar percepções, tendências e oportunidades de mercado.
Complementarmente à pesquisa de mercado, foram aplicadas ferramentas de análise estratégica e mercadológica, com o objetivo de estruturar o modelo de negócio e analisar sua viabilidade. As ferramentas utilizadas — Business Model Canvas (Osterwalder; Pigneur, 2011), Análise SWOT (Kotler; Keller, 2012), Benchmarking (Camp, 1998) e Personas (Cooper, 1999; Solomon, 2016) — são amplamente empregadas em estudos de inovação e planejamento de negócios.
O uso combinado dessas ferramentas possibilitou identificar a lógica de criação, entrega e captura de valor do produto por meio do Business Model Canvas; compreender as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças associadas ao negócio a partir da Análise SWOT; determinar a posição competitiva em relação a produtos semelhantes por meio do Benchmarking; e definir o perfil comportamental do público-alvo e da marca com base na construção de Personas.
Essas análises forneceram uma base conceitual e estratégica sólida para o desenvolvimento do produto Mi Power, orientando decisões relacionadas ao design, ao posicionamento e à comunicação. As aplicações práticas de cada ferramenta são apresentadas no Capítulo 4 – Resultados e Discussão.
Em 2025, realizou-se um teste de usabilidade com o objetivo de avaliar a funcionalidade e a aceitação do protótipo da bolsa Mi Power, observando a interação espontânea dos usuários com o produto e identificando eventuais ajustes necessários antes de sua finalização.
Trata-se de um procedimento de caráter aplicado e exploratório, com abordagem qualitativa e elementos descritivos, conforme as orientações de Nielsen (1994), que classifica esse tipo de teste como formativo, destinado ao aperfeiçoamento do produto ainda em desenvolvimento. Segundo o autor, “testes de usabilidade são a forma mais direta e eficiente de descobrir como os usuários realmente interagem com um produto e onde ocorrem dificuldades” (Nielsen, 1994, p. 25).
Participaram do teste 24 voluntários selecionados por conveniência, abrangendo estudantes universitários, trabalhadores urbanos e usuários habituais de bolsas e mochilas. Cada participante teve contato direto com o protótipo em um ambiente que simulava situações reais de uso, como locais com baixa luminosidade e momentos de deslocamento, permitindo a ativação da iluminação interna da bolsa, o manuseio do compartimento principal e o uso da entrada USB para carregamento de dispositivos móveis.
Durante o teste, os usuários foram observados sem interferência, registrando-se expressões, hesitações e comentários espontâneos, abordagem coerente com a metodologia observacional defendida por Norman (2013), segundo a qual o produto deve ser “projetado a partir do comportamento humano, e não de suposições do designer” (Norman, 2013, p. 41).
Após a interação, os participantes responderam a um breve questionário contendo perguntas fechadas e abertas, permitindo a triangulação de dados (Creswell, 2014), ao combinar observação direta e autoavaliação dos usuários. As respostas foram organizadas em planilhas e analisadas de forma descritiva: os dados qualitativos foram categorizados por recorrência e os quantitativos apresentados em frequências e percentuais, conforme orienta Gil (2017) para pesquisas exploratórias.
Durante a aplicação do teste, foram registradas observações relevantes, como a dificuldade de alguns participantes em localizar o botão de acionamento da luz e a curiosidade em relação à entrada USB, especialmente quando o cabo não estava conectado visivelmente. Comentários como “nossa, isso ajuda muito quando chego em casa à noite” e “seria bom se o botão fosse mais visível” contribuíram para compreender a percepção de valor e a experiência do usuário.
Essas observações reforçam a importância do teste de usabilidade como etapa essencial antes do lançamento de um produto inovador, permitindo ajustes técnicos e de design com base na experiência real do consumidor.
Este capítulo apresenta os resultados obtidos nas etapas práticas de desenvolvimento e validação da Mi Power, desde a pesquisa de mercado até os testes de usabilidade com protótipos funcionais. Os achados combinam evidências quantitativas (amostra de 257 respondentes; métricas de teste) e qualitativas (comentários abertos; observações de uso), permitindo verificar a viabilidade técnica, funcional e mercadológica do produto.
A seção está organizada de modo sequencial: (i) pesquisa de mercado; (ii) aplicação de ferramentas analíticas (Canvas, SWOT, Benchmarking e Personas); (iii) desenvolvimento do protótipo; (iv) teste de usabilidade; (v) análise financeira; (vi) requisitos de segurança; e (vii) próximos passos.
A primeira etapa da validação da Mi Power consistiu na realização de uma pesquisa de mercado voltada a compreender o perfil dos potenciais consumidores e suas percepções sobre a proposta do produto. O estudo teve caráter exploratório e quantitativo, com o objetivo de identificar hábitos de consumo, principais dificuldades relacionadas ao uso de bolsas convencionais, e o nível de interesse por funcionalidades inovadoras, como iluminação interna e carregamento de dispositivos eletrônicos via entrada USB.
A coleta de dados ocorreu por meio de questionário online, aplicado a uma amostra de 257 respondentes residentes em diferentes regiões do Brasil, com predominância de participantes do Sudeste. A amostra contemplou homens e mulheres de diversas faixas etárias e ocupações, possibilitando uma análise abrangente das preferências e expectativas quanto à adoção de produtos tecnológicos de uso pessoal.
A maioria dos respondentes encontra-se entre 18 e 34 anos, público jovem-adulto, que costuma ter uma rotina dinâmica, urbana e conectada. Isso confirma o potencial da bolsa como solução para quem precisa de praticidade e tecnologia no dia a dia. Das 257 respostas, a maior concentração está na faixa de 26 a 35 anos (68 pessoas), seguida de perto pela faixa de 18 a 25 anos (62 pessoas). Em seguida aparecem os grupos de 36 a 45 anos (51 pessoas) e 46 a 55 anos (47 pessoas). Já em menor proporção encontram-se os participantes acima de 55 anos (17 pessoas) e aqueles com menos de 18 anos (12 pessoas).

Fonte: autor.
A predominância feminina é clara, mostrando que o produto tem maior apelo inicial entre mulheres. No entanto, há também uma parcela masculina que não deve ser ignorada, abrindo espaço para versões unissex ou masculinas futuramente. O levantamento mostrou que, entre os respondentes, 148 se identificaram com o gênero feminino, 107 com o gênero masculino, conforme Gráfico 2, e 2 preferiram não declarar.

Fonte: autor.
Grande parte dos participantes são estudantes e profissionais em início ou meio de carreira. Esse perfil sugere que valorizam custo-benefício, praticidade e produtos que otimizem sua rotina corrida. Os dados revelam que a maioria dos participantes da pesquisa é composta por empregados em tempo integral (131), seguidos por estudantes (75) e empregados em tempo parcial (50), o que evidencia um público predominantemente ativo e com rotinas dinâmicas. Em menor proporção aparecem profissionais liberais/autônomos (17), empresários (14), desempregados (10), aposentados (6), estagiários (2) e outros perfis (4). Esse panorama sugere que a Mi Power atende a um público diversificado, mas com maior concentração em pessoas inseridas no mercado de trabalho e em estudantes.

Fonte: autor.
A maioria possui renda entre 1 e 3 salários-mínimos, o que reforça a necessidade de manter o produto dentro de uma faixa de preço acessível (até R$300). Um preço acima disso pode reduzir o interesse de compra. A análise da renda mensal dos participantes mostra que a maior parte se concentra na faixa entre R$ 2.001,00 e R$ 5.000,00 (83 pessoas), seguida por aqueles que recebem entre R$ 5.001,00 e R$ 10.000,00 (58 pessoas). Em seguida, aparecem os que ganham até R$ 2.000,00 (54 pessoas), os que preferiram não informar (35 pessoas) e, em menor número, os que possuem renda acima de R$ 10.000,00 (27 pessoas). Esse perfil revela uma predominância de consumidores de classe média, público estratégico para produtos que unem funcionalidade e valor agregado.

Fonte: autor.
A concentração de respondentes está no Sudeste, especialmente em áreas urbanas, o que pode refletir tanto uma limitação da amostra quanto a realidade de maior consumo da região. Isso sugere que o Sudeste deve ser a porta de entrada para o lançamento, mas com a necessidade de ampliar a análise para outras regiões a fim de explorar todo o potencial nacional. Entre os respondentes, 83 declararam renda mensal entre R$ 2.001,00 e R$ 5.000,00, 58 estão na faixa de R$ 5.001,00 a R$ 10.000,00, 54 afirmaram receber até R$ 2.000,00, 35 preferiram não informar e 27 possuem renda superior a R$ 10.000,00.

Fonte: autor.
Um número expressivo relatou já ter enfrentado dificuldades para localizar itens no escuro. Esse dado confirma o valor da iluminação interna como diferencial relevante e de fácil comunicação na divulgação. A pesquisa revelou que 100 participantes relataram ter dificuldade em encontrar objetos dentro da bolsa às vezes, enquanto 62 afirmaram enfrentar essa situação frequentemente. Outros 44 disseram que isso ocorre raramente, 36 afirmaram que sempre passam por essa dificuldade e apenas 15 relataram nunca ter esse problema. Esses resultados evidenciam que a maioria dos respondentes enfrenta algum nível de dificuldade, reforçando a relevância de soluções como a iluminação interna da bolsa.

Fonte: autor.
O interesse foi alto, validando a funcionalidade como atrativa. Isso significa que a luz interna pode ser um argumento central na proposta de valor e campanhas de marketing. Os resultados indicam que 73 participantes demonstraram estar muito interessados em uma bolsa com iluminação interna e outros 83 afirmaram ter algum interesse, ainda que em menor grau. Por outro lado, 59 se mostraram indiferentes, 26 declararam estar pouco interessados e apenas 16 disseram não ter interesse algum. Esses dados evidenciam que a maioria vê valor nessa funcionalidade, reforçando a relevância do recurso como diferencial do produto.

Fonte: autor.
A maioria afirmou passar por esse problema com frequência. Esse resultado reforça a dor real do público e evidencia a relevância da entrada USB como parte fundamental do produto. Os dados mostram que 87 pessoas relataram ficar sem bateria no celular fora de casa às vezes, enquanto 82 afirmaram que isso ocorre raramente. Já 52 participantes indicaram que essa situação acontece frequentemente e 19 disseram que acontece sempre. Apenas 17 afirmaram nunca ter passado por esse problema. Esses resultados revelam que a maioria dos respondentes enfrenta, em maior ou menor grau, a necessidade de recarregar o celular fora de casa.

Fonte: autor.
O interesse foi igualmente forte, mostrando que a funcionalidade dialoga diretamente com a rotina conectada do público. É um argumento de venda que gera identificação imediata. Os resultados revelam que 115 pessoas demonstraram estar muito interessadas em uma bolsa com entrada USB e 81 afirmaram estar um pouco interessadas. Em contrapartida, 34 se mostraram indiferentes, 18 disseram não estar muito interessadas e apenas 9 declararam não ter interesse algum. Esses dados indicam uma forte aceitação da funcionalidade de carregamento, reforçando seu potencial como diferencial competitivo.

Fonte: autor.
A aceitação foi ainda maior quando ambas as soluções foram combinadas, indicando que a proposta da Mi Power (iluminação + carregamento) é percebida como mais completa e valiosa pelo público. Os dados mostram que 131 participantes demonstraram interesse em adquirir uma bolsa que combine as duas funcionalidades, iluminação interna e entrada USB, dependendo do preço, enquanto 69 afirmaram que comprariam definitivamente. Por outro lado, 29 pessoas se mostraram indiferentes, 21 disseram não achar necessário e apenas 7 afirmaram que não gostariam de utilizar o produto. Esses resultados reforçam o apelo do protótipo, especialmente quando associado a uma estratégia de precificação adequada.

Fonte: autor.
Houve divisão, mas a entrada USB se destacou levemente como prioridade. Isso mostra que, embora a luz seja um diferencial interessante, a recarga do celular é percebida como necessidade. Quando questionados sobre qual funcionalidade consideram mais útil, 125 participantes destacaram a entrada USB para carregar o celular como a principal, enquanto 87 apontaram que ambas as funções são igualmente úteis. Já 31 consideraram a iluminação interna mais relevante e apenas 14 afirmaram que nenhuma das duas funcionalidades seria realmente necessária. Esses resultados evidenciam a maior valorização da função de recarga, mas também mostram que a combinação das duas agrega ainda mais valor percebido ao produto.

Fonte: autor.
A preferência recaiu sobre bolsas médias, que equilibram estética e praticidade. Isso orienta o design inicial do produto, com foco em portabilidade sem perder espaço interno. Entre os respondentes, a maioria demonstrou preferência por bolsas de tamanho médio para uso diário, com 162 escolhas. Em seguida, 70 pessoas optaram por mochilas e 33 preferiram bolsas grandes para carregar mais objetos. As bolsas pequenas, voltadas para itens essenciais, foram escolhidas por 27 participantes. Apenas 6 declararam não ter interesse, não se interessarem pelo produto ou não utilizarem bolsa, destacando uma adesão significativa às opções que equilibram praticidade e capacidade de armazenamento.

Fonte: autor.
Há um padrão de preferência em relação ao preço da Mi Power. A faixa mais aceita está entre R$ 100,00 e R$ 200,00, concentrando aproximadamente 125 pessoas. A faixa de R$ 200,00 a R$ 300,00 agrupa cerca de 55 pessoas, indicando um segmento disposto a investir um pouco mais. Por fim, o grupo que aceita pagar acima de R$ 300,00 é menor, mas representa um nicho com potencial para ofertas premium ou serviços exclusivos.

Fonte: autor.
Para as perguntas abertas, os comentários reforçam a aceitação da ideia, com sugestões ligadas a estilo, durabilidade e design discreto. Isso mostra que, além da funcionalidade, a estética e a qualidade são fundamentais para o sucesso da Mi Power. Além disso, demonstram um forte reconhecimento pela inovação e criatividade da ideia da bolsa. Muitos usuários elogiaram o conceito, parabenizando a iniciativa e a busca por aprendizado, e alguns até expressaram interesse em adquirir ou testar o protótipo. Em geral, o projeto foi bem recebido, gerando entusiasmo e boas expectativas em relação ao seu sucesso. E ainda, diversas sugestões de melhoria foram apontadas para tornar a bolsa mais funcional e prática. Entre elas, destacam-se a necessidade de tornar partes removíveis para facilitar a lavagem, garantir maior durabilidade da bateria, incluir bolsos funcionais e separadores internos, além de priorizar materiais macios, leves e impermeáveis. Também foram sugeridas opções de diferentes cores, estilos e tamanhos, além de ajustes na iluminação interna, permitindo ligar/desligar externamente ou regular a intensidade. Alguns usuários propuseram a integração de tecnologias semelhantes às de smartwatch e a inclusão de um powerbank interno. Outros comentários levantaram críticas e alertas importantes. Entre eles, a preocupação com o peso e a ergonomia da bolsa, que poderia ser comprometida pelo sistema de bateria e iluminação. Outros questionaram a necessidade da luz interna, considerando que celulares já possuem lanterna, e alertaram para o risco de quebra de componentes internos. Também houve dúvidas quanto à definição do produto como bolsa ou mochila e à adequação do público-alvo. Houve ainda questionamentos sobre aspectos técnicos, como a fonte de energia da bolsa e a compatibilidade com diferentes tipos de cabos, especialmente USB tipo C. Alguns usuários relataram dificuldades em responder certas perguntas devido à ausência de imagens ou protótipos visuais, indicando que a apresentação do produto poderia ser aprimorada para facilitar a avaliação. Por fim, algumas considerações adicionais foram mencionadas, destacando a importância da sustentabilidade no descarte do produto e a atenção a diferentes aplicações, como uso em maquiagem, treino ou atividades gerais. Esses comentários fornecem insights valiosos para orientar o desenvolvimento do protótipo, equilibrando inovação, praticidade e atenção às necessidades dos usuários. De modo geral, os resultados da pesquisa de mercado indicam forte aceitação da proposta da Mi Power, especialmente entre jovens adultos de 18 a 35 anos, com perfil urbano, conectados e em busca de praticidade no cotidiano. As duas funcionalidades centrais, iluminação interna e entrada USB para recarga de celular, foram amplamente reconhecidas como úteis e relevantes, destacando-se como diferenciais competitivos do produto. A disposição da maioria dos respondentes em pagar até R$ 300,00 reforça a necessidade de manter o preço dentro de uma faixa acessível à classe média, público predominante da amostra. Além disso, as sugestões qualitativas revelaram preocupação com durabilidade, ergonomia e sustentabilidade, elementos que devem orientar as próximas etapas do desenvolvimento do protótipo. Esses achados confirmam a viabilidade mercadológica inicial da Mi Power e justificam a continuidade do projeto, orientando ajustes técnicos e estratégicos antes da introdução comercial do produto.
Após a pesquisa de mercado, foram aplicadas diferentes ferramentas de análise estratégica e mercadológica com o objetivo de compreender a viabilidade do produto Mi Power sob uma perspectiva prática. As ferramentas selecionadas, Business Model Canvas, Análise SWOT, Benchmarking e Personas, foram fundamentais para estruturar o modelo de negócio, identificar oportunidades e riscos, e definir o posicionamento de mercado da marca.
Entre elas, o Business Model Canvas (BMC), desenvolvido por Osterwalder e Pigneur (2011), destacou-se como ponto de partida para representar visualmente como o produto cria, entrega e captura valor. Sua aplicação permitiu visualizar de forma integrada os nove elementos centrais do negócio: proposta de valor, segmentos de clientes, canais de distribuição, relacionamento com clientes, fontes de receita, recursos-chave, atividades-chave, parcerias principais e estrutura de custos.
No contexto da Mi Power, o BMC evidenciou que o principal diferencial do produto está na integração de funcionalidade e design, unindo moda, iluminação interna e carregamento portátil em uma única solução. O Canvas também mostrou a importância de estabelecer parcerias estratégicas, como fornecedores de componentes eletrônicos, cooperativas de costura e distribuidores especializados em acessórios tecnológicos. Além disso, apontou a necessidade de diversificação dos canais de venda, incluindo lojas físicas, plataformas de e-commerce e marketplaces, ampliando o alcance do público consumidor.
A ferramenta também contribuiu para o delineamento de uma estrutura de custos inicial, composta principalmente por materiais de acabamento, componentes eletrônicos e mão de obra de montagem, contrastando com fontes de receita centradas na venda direta ao consumidor e na futura expansão para linhas de produtos diferenciadas (executiva, esportiva e sustentável).
Parcerias Principais: Fornecedores de tecidos resistentes e sustentáveis, componentes eletrônicos (LEDs, baterias e portas USB), cooperativas de costura e designers de produto. Técnicos em eletrônica apoiam a montagem dos sistemas internos.
Atividades-Chave: Desenvolvimento e aprimoramento do produto, testes de usabilidade e durabilidade, pesquisas de comportamento do usuário, ajustes de design e validação de mercado.
Proposta de Valor: Iluminação interna que facilita encontrar objetos, carregamento USB integrado, autonomia, praticidade, design moderno e tecnologia integrada.
Relacionamento com Clientes: Suporte pós-venda, conteúdo digital explicativo, atendimento online e experiência intuitiva no uso.
Segmentos de Clientes: Usuários urbanos, estudantes, profissionais e pessoas que buscam praticidade e mobilidade.
Recursos-Chave: Protótipo funcional, componentes tecnológicos integrados, design versátil, estrutura interna otimizada e plano de negócios.
Canais: Varejo físico, lojas online, marketplaces e redes sociais.
Estrutura de Custos: Componentes eletrônicos, tecidos, montagem, testes, embalagem e logística.
Fontes de Receita: Venda do produto e expansão para novas linhas. O valor agregado reforça satisfação e fidelização.
A Análise SWOT, também conhecida como Matriz FOFA, é uma ferramenta clássica de planejamento estratégico utilizada para identificar fatores internos (forças e fraquezas) e externos (oportunidades e ameaças) que influenciam o desempenho de uma organização, produto ou projeto. Segundo Kotler e Keller (2012), constitui um dos instrumentos mais eficazes para a formulação de estratégias competitivas, pois integra o diagnóstico organizacional à leitura do ambiente de mercado. No contexto da Mi Power, sua aplicação buscou compreender as condições que sustentam ou desafiam o posicionamento do produto no mercado de acessórios tecnológicos. A partir das informações obtidas nas etapas de pesquisa e testes de usabilidade, a ferramenta permitiu identificar pontos fortes e fragilidades, além de mapear oportunidades e riscos do ambiente competitivo. A análise evidencia forças internas relevantes, sobretudo ligadas à inovação funcional e ao diferencial tecnológico, que conferem ao produto um posicionamento competitivo promissor. A validação do protótipo confirma a relevância percebida das funcionalidades, reforçando a coerência entre proposta de valor e necessidade do público. Entretanto, fraquezas como o custo de produção e o baixo reconhecimento de marca indicam desafios típicos de produtos inovadores, exigindo estratégias graduais de expansão e fortalecimento da identidade. No ambiente externo, oportunidades de crescimento emergem com a expansão do mercado de acessórios tecnológicos e sustentáveis, enquanto ameaças associadas à concorrência e ao custo de importação reforçam a necessidade de diferenciação contínua. Em síntese, a análise SWOT revela que a Mi Power possui alto potencial competitivo, desde que alinhe inovação e viabilidade econômica, consolidando um posicionamento sustentável e de valor agregado no mercado nacional.
Forças: Inovação, design funcional, praticidade, validação em testes, baixa concorrência e potencial sustentável.
Fraquezas: Alto custo inicial, dependência de bateria, durabilidade ainda não testada a longo prazo, baixa visibilidade de marca.
Oportunidades: Crescimento do setor, interesse em acessórios inteligentes, expansão para nichos, aderência a ODS.
Ameaças: Concorrência internacional, produtos similares baratos, custos de importação, mudanças no comportamento do consumidor.
O Benchmarking é uma técnica de gestão voltada à comparação sistemática de produtos, serviços e processos com os de organizações consideradas referência no mercado. De acordo com Camp (1998), pioneiro na disseminação do conceito, seu principal objetivo é identificar boas práticas e oportunidades de melhoria que possam ser adaptadas à realidade de outra empresa, promovendo a aprendizagem organizacional e a busca por excelência. No contexto da Mi Power, o benchmarking foi utilizado como instrumento de análise competitiva, permitindo comparar o produto a bolsas tecnológicas disponíveis no mercado nacional e internacional. Essa comparação abrange aspectos como design, funcionalidades, materiais, posicionamento e preço, com o intuito de evidenciar diferenciais competitivos e identificar possíveis lacunas de inovação. A análise demonstra que, embora existam produtos semelhantes no exterior, a Mi Power destaca-se como uma solução nacional acessível, capaz de oferecer praticidade, inovação e design funcional a um preço competitivo, representando um equilíbrio entre tecnologia e viabilidade econômica. A análise comparativa evidencia que a Mi Power ocupa uma posição estratégica entre inovação e acessibilidade. Enquanto marcas internacionais se concentram em produtos premium e de alto custo, a proposta brasileira combina funcionalidade e preço competitivo, atendendo ao público urbano que busca conveniência sem renunciar ao design. A vantagem da Mi Power reside em oferecer um produto tecnologicamente relevante, adaptado às preferências locais e com potencial de expansão para versões executivas, esportivas e sustentáveis. Assim, o benchmarking confirma a viabilidade de posicionar a Mi Power como uma alternativa nacional diferenciada no mercado emergente de acessórios inteligentes.
Minois – Itália
- Funcionalidades: LED + powerbank + carregamento wireless
- Disponibilidade: Importado
- Preço: Alto
Nalphi – EUA/Índia
- Funcionalidades: LED + powerbank + alarme + dispenser de perfume
- Disponibilidade: Importado
- Preço: Alto
Ricky Bag – EUA
- Funcionalidades: LED + USB + design premium (luxo)
- Disponibilidade: Importado
- Preço: Muito alto
Ecosoli – Brasil
- Funcionalidades: Bolsa com painel solar + bateria integrada
- Disponibilidade: Nacional
- Preço: Médio
Shop Pursen – EUA
- Funcionalidades: LED + espelho + bateria
- Disponibilidade: Importado
- Preço: Alto
A persona do consumidor representa o perfil ideal de cliente que a Mi Power busca atender. Criada com base em dados reais coletados durante a pesquisa de mercado e complementada por observações qualitativas, ela permite compreender as motivações, hábitos e necessidades do público-alvo. Segundo Cooper (1999), a persona ajuda a humanizar o processo de design e tomada de decisão, fazendo com que as estratégias de produto e comunicação sejam guiadas por um rosto e uma história concreta, e não apenas por estatísticas. Essa abordagem reforça o que Solomon (2016) denomina “visão centrada no consumidor”, essencial para conectar valor percebido e proposta de marca. A persona de referência, denominada Milena Power, é uma jovem profissional urbana, conectada e multitarefa, que valoriza soluções práticas, tecnológicas e acessíveis. Seu comportamento de consumo reflete o estilo de vida contemporâneo, marcado pela necessidade de mobilidade e pelo uso intenso de dispositivos eletrônicos.
Nome: Milena Power
Idade: 28 anos
Profissão: Analista de marketing digital
Local: São Paulo – SP
Dores: Perder tempo procurando itens, ficar sem bateria fora de casa
Desejos: Produtos tecnológicos, práticos e com bom design
Citação: “Quero produtos que facilitem minha rotina sem renunciar ao visual.”
Ela busca produtos que integrem funcionalidade e estética, capazes de simplificar o cotidiano sem renunciar ao design. Assim, a Milena Power representa não apenas o público-alvo da marca, mas também o arquétipo de um consumidor moderno, exigente e atento à inovação. Enquanto a persona do consumidor retrata o público ideal, a persona da marca traduz a identidade e o posicionamento simbólico da Mi Power no mercado. Ela expressa os valores, o propósito e o tom de comunicação da empresa, funcionando como guia estratégico para o relacionamento com seus clientes. De acordo com Solomon (2016), marcas bem-sucedidas constroem vínculos emocionais ao adotar uma linguagem consistente e autêntica, capaz de refletir a personalidade e o propósito organizacional. No caso da Mi Power, a persona da marca é caracterizada pela união entre tecnologia, design e funcionalidade, atributos que comunicam inovação acessível, praticidade e estilo de vida moderno.
Identidade: Acessórios inteligentes
Propósito: Funcionalidade + tecnologia + praticidade
Personalidade: Moderna, criativa, funcional e sustentável
Slogan: Luz e energia para acompanhar o seu ritmo.
Essa persona representa uma marca próxima, criativa e inspiradora, que acredita que a tecnologia pode estar presente nas pequenas soluções do dia a dia. Seu tom de voz é leve e positivo, buscando gerar identificação com o público jovem-adulto que valoriza conveniência, autonomia e sustentabilidade. Dessa forma, a Mi Power se posiciona como uma marca que entende o ritmo de vida de seus consumidores e oferece produtos inteligentes que simplificam a rotina com elegância. A relação entre as duas personas é complementar e estratégica. Enquanto a persona do consumidor direciona o desenvolvimento de produto e as ações de marketing, a persona da marca assegura a coerência da identidade institucional e a consistência do discurso em todos os pontos de contato com o público. Essa integração reflete o princípio de correspondência entre valor percebido e valor entregue, destacado por Kotler e Keller (2012), em que a experiência do cliente deve espelhar a promessa da marca. Assim, compreender simultaneamente o perfil do consumidor e a personalidade da marca permite à Mi Power consolidar um posicionamento sólido, humanizado e sustentável no mercado de acessórios tecnológicos. A aplicação integrada das ferramentas analíticas, Business Model Canvas, Análise SWOT, Benchmarking e Personas, possibilitou uma visão abrangente e estruturada sobre a viabilidade do produto Mi Power. Cada ferramenta desempenhou um papel essencial e complementar: o Canvas organizou a lógica do modelo de negócios; a SWOT evidenciou as condições internas e externas que influenciam o sucesso do projeto; o Benchmarking situou o produto frente às referências do mercado; e as Personas trouxeram profundidade à compreensão do público e da identidade da marca. Esse conjunto de análises permitiu validar não apenas a proposta conceitual da Mi Power, mas também suas perspectivas mercadológicas e competitivas. Os resultados indicam que a marca possui potencial para consolidar-se no segmento de acessórios inteligentes, especialmente ao aliar inovação tecnológica, praticidade e preço acessível. Além disso, reforçam que a coerência entre as necessidades do consumidor e o posicionamento da marca é um diferencial estratégico que pode sustentar o crescimento futuro. Dessa forma, as ferramentas mercadológicas ofereceram a base teórica e estratégica necessária para avançar à etapa seguinte do projeto: o desenvolvimento e validação do protótipo funcional da Mi Power. Essa fase representa a transição entre o planejamento e a aplicação prática, permitindo testar as hipóteses levantadas e observar, na experiência real do usuário, a efetividade das soluções propostas.
O MVP (Produto Mínimo Viável) é uma versão simplificada de um produto, desenvolvida com as funções essenciais para testar sua aceitação no mercado antes de investir em produção em larga escala. Seu objetivo é validar a ideia com usuários reais, coletar feedbacks e identificar melhorias de forma rápida e com baixo custo, permitindo reduzir riscos e compreender se o produto realmente resolve uma necessidade e se o público está disposto a pagar por ele.
No caso da Mi Power, o protótipo funcional com iluminação interna e recarga USB representou o MVP, reproduzindo apenas as características essenciais do produto para realização dos testes de usabilidade e validação da ideia, possibilitando observar a reação dos consumidores e confirmar seu potencial comercial e de usabilidade.
O desenvolvimento do protótipo da Mi Power teve como objetivo validar a viabilidade técnica e funcional do produto antes dos testes com usuários. Essa etapa envolveu a integração de processos têxteis tradicionais com componentes eletrônicos, exigindo precisão, segurança e acabamento de qualidade.
Para a construção do primeiro protótipo foi comprada uma pasta de tamanho médio, baterias de lítio, conectores, fita LED, linha preta, agulha, tecido, haste de solda e fios. Um pedaço da fita LED foi cortado e soldado aos fios, que, por sua vez, foram conectados às baterias de lítio. A fita foi costurada na parte superior interna, e as baterias ficaram ocultas na parte traseira da bolsa. Esse primeiro modelo foi desenvolvido com foco exclusivo na função de iluminação interna.

Figura 1 – Primeiro protótipo.
Fonte: autor.
Após os resultados da pesquisa online, identificou-se também demanda pela função de recarregamento de dispositivos móveis. Assim, foi desenvolvido um segundo protótipo utilizando uma mochila de aparência unissex. Foram adquiridas fita LED com interruptor, alfinetes e uma bateria conectada a duas saídas USB fêmeas. A fita LED foi conectada a uma das saídas USB e a outra permaneceu reservada para o carregamento de celulares. As fitas foram fixadas provisoriamente com alfinetes, uma vez que o foco era o teste de usabilidade funcional.

Figura 2 – Segundo protótipo.
Fonte: autor.
A partir das experiências com os protótipos adaptados, definiu-se um modelo idealizado de processo produtivo, que representa como o produto poderá ser confeccionado de forma sistematizada e segura em uma futura fase de fabricação. Nessa concepção, a Mi Power combina etapas tradicionais de costura com a integração de componentes eletrônicos. A estrutura da bolsa deve ser composta por materiais têxteis e eletrônicos selecionados para garantir resistência, funcionalidade e segurança. O tecido externo pode utilizar nylon, poliéster ou couro sintético; o forro interno, tecido leve de poliéster ou algodão; e os zíperes e fechos devem assegurar praticidade e durabilidade.
Os componentes eletrônicos incluem um módulo USB power bank carregador de bateria 18650, responsável pela recarga dos dispositivos e distribuição de energia para a fita LED; baterias recarregáveis 18650, com capacidade entre 2000 e 3800 mAh; e fita LED instalada no interior da bolsa, acionada por interruptor acessível. As conexões deverão ser fixadas com haste de solda e protegidas com isolamento termo retrátil para segurança elétrica.
Durante a montagem, a bateria deve ser posicionada em compartimento isolado, o módulo USB embutido em área lateral de fácil acesso e a fita LED costurada no forro interno. O acabamento deve prever isolamento dos fios e reforço estrutural, evitando desfiamento e protegendo os circuitos. O processo deverá envolver dois profissionais especializados: o(a) costureiro(a) técnico(a), responsável pela confecção e acabamento têxtil, e o(a) montador(a) eletrônico(a), responsável pela integração segura dos componentes.
Em síntese, os protótipos adaptados permitiram validar, de forma prática, a viabilidade técnica e funcional do produto, demonstrando que a integração entre materiais têxteis e dispositivos eletrônicos é possível, segura e de custo controlado. O modelo de processo produtivo aqui descrito representa uma projeção de como a Mi Power poderá ser fabricada em escala, a partir das evidências e aprendizados obtidos nesta fase experimental. Essa etapa foi essencial para subsidiar os testes de usabilidade, apresentados a seguir.
O teste de usabilidade da bolsa Mi Power foi conduzido com 24 participantes cujo perfil corresponde ao público-alvo potencial do produto, pessoas que utilizam bolsas ou mochilas e frequentemente necessitam carregar dispositivos eletrônicos durante o dia. Após a interação prática com o protótipo, os participantes responderam a um questionário estruturado com perguntas objetivas e abertas, possibilitando a coleta de dados qualitativos e quantitativos sobre funcionalidade, facilidade de uso, percepção de valor e intenção de compra.
Os resultados demonstram alta aceitação do produto. Em relação à iluminação interna, 91,7% dos participantes afirmaram que a função facilitou a visualização de objetos no interior da bolsa, sobretudo em locais escuros. A funcionalidade de carregamento via USB obteve 100% de aprovação, sendo considerada a característica mais útil por 58% dos participantes. Esse resultado confirma a percepção de conveniência e mobilidade, aspectos valorizados por consumidores contemporâneos, conforme Kotler e Keller (2012), que afirmam que “o valor percebido é construído pela utilidade que o produto entrega no momento de uso”.
Quanto à usabilidade, 20,8% relataram dificuldade para encontrar o botão de acionamento da luz, e 12,5% apresentaram dúvida inicial sobre a função da entrada USB. Esses dados sugerem a necessidade de ajustes no design de interação, especialmente em termos de visibilidade e clareza, corroborando os princípios de heurística de Nielsen (1994), que defendem que os comandos das funcionalidades devem ser “visíveis, intuitivos e de fácil memorização”.
No que se refere à aceitação mercadológica, 87,5% dos participantes declararam disposição para pagar até R$100 a mais por essas funcionalidades, e 75% consideraram justa a faixa de preço entre R$201 e R$300 pelo produto completo. Esse comportamento demonstra percepção positiva do valor agregado, alinhando-se ao conceito de diferenciação competitiva de Porter (1989), em que o consumidor aceita pagar mais quando percebe benefícios exclusivos.
Quadro 6: Resultados Consolidados do Teste de Usabilidade da Mi Power (n = 24)
Iluminação funcionou corretamente: 91,7% (22/24) – Apenas 2 participantes relataram dificuldade para localizar ou acionar o botão.
Carregamento via USB funcionou: 100% (24/24) – Todos confirmaram que o carregamento ocorreu como esperado.
Função mais útil: 58% Carregamento | 42% Iluminação.
Dificuldade em encontrar o botão de luz: 20,8% (5/24).
Dificuldade em entender a função USB: 12,5% (3/24).
Peso interfere na decisão de compra: 0%.
Disposição para pagar até R$100 a mais: 87,5% (21/24).
Faixa de preço considerada justa: 75% (R$ 201–300) | 25% (até R$200).
Compraria o produto: 79% sim | 21% talvez/não.
Percepção de inovação: 100%.
Melhorias mais citadas: 1º Botão de luz mais visível; 2º Melhor indicação da entrada USB; 3º Ajustes no design interno.
Fonte: autor
Os resultados obtidos no teste de usabilidade do protótipo da bolsa Mi Power confirmam a aderência do produto às necessidades identificadas na etapa de pesquisa de mercado, especialmente no que diz respeito à funcionalidade, praticidade e percepção de valor. A aprovação de 91,7% para a iluminação interna e de 100% para o carregamento via USB demonstra que as funcionalidades inovadoras cumprem seu propósito central: facilitar o cotidiano, proporcionando mais autonomia aos usuários. Esse resultado vai ao encontro da definição de valor proposta por Kotler e Keller (2012), segundo a qual “os consumidores percebem valor quando os benefícios entregues por um produto superam os custos percebidos de obtê-lo”. A ampla aceitação indica que o produto entrega benefícios percebidos superiores aos eventuais sacrifícios, como peso, adaptação de uso ou custo adicional. Outro aspecto relevante é a percepção de inovação, reconhecida por 100% dos participantes. Schumpeter (1985) afirma que a inovação ocorre quando há a introdução de novas combinações de funcionalidades ou tecnologias aplicadas ao cotidiano, e esse resultado reforça que a Mi Power oferece uma proposta de valor inédita ao integrar moda, iluminação interna e carregamento de dispositivos móveis em um único produto. A disposição de 87,5% dos usuários em pagar até R$100 adicionais, e a aceitação de um valor final entre R$201 e R$300, confirmam que o público reconhece diferenciação competitiva, conceito alinhado ao que Porter (1989) denomina estratégia de diferenciação, na qual o consumidor aceita pagar mais por atributos únicos, difíceis de serem replicados pela concorrência. Apesar dos resultados positivos, algumas limitações foram observadas no uso do protótipo, relacionadas à experiência do usuário. Cerca de 20,8% dos participantes relataram dificuldade para localizar o botão de acendimento da luz, e 12,5% não compreenderam de imediato o funcionamento da entrada USB. Tais questões indicam a necessidade de aperfeiçoamentos no design de interação. De acordo com Nielsen (1994), a usabilidade depende de cinco elementos principais: facilidade de aprendizado, eficiência, memorização, baixa taxa de erros e satisfação. Ao considerar que houve dificuldades iniciais de compreensão das funcionalidades, conclui-se que a visibilidade e a sinalização dos componentes do produto precisam ser aprimoradas, tornando mais claro o modo de interação entre usuário e tecnologia. Do ponto de vista do comportamento do consumidor, os resultados reforçam a tendência crescente de busca por produtos que combinam funcionalidade, estética e tecnologia, característica de consumidores multitarefa e conectados (Solomon, 2011). O fato de 0% dos participantes considerarem o peso da bolsa um fator impeditivo sinaliza que o usuário está disposto a aceitar pequenos desconfortos em troca de conveniência, especialmente em contextos como viagens, trabalho noturno e atividades externas. Em síntese, os resultados do teste de usabilidade demonstram coerência entre a proposta conceitual do produto e sua aceitação prática. Ainda que ajustes sejam necessários, especialmente no design de interação, os índices de desempenho e a disposição de compra indicam viabilidade mercadológica e potencial de inserção competitiva. Conforme Norman (2013), produtos inovadores só se tornam bem-sucedidos quando “funcionam bem, reduzem atritos de uso e criam significado na vida do usuário”, exatamente o caminho que a Mi Power começa a trilhar.
Embora os resultados do teste de usabilidade tenham demonstrado elevada aceitação do produto e validação das funcionalidades principais da Mi Power, alguns aspectos foram identificados como oportunidades de aprimoramento antes de sua comercialização em escala. Essas melhorias referem-se principalmente ao design de interação, à ergonomia e à clareza no uso das funcionalidades tecnológicas integradas.
A primeira melhoria necessária refere-se à localização e visibilidade do botão de acionamento da iluminação interna. Aproximadamente 20,8% dos participantes relataram dificuldade em encontrá-lo ou acioná-lo rapidamente, o que impacta a experiência intuitiva de uso. Segundo Nielsen (1994), a visibilidade do status do sistema é um dos princípios fundamentais da usabilidade, indicando que elementos interativos devem ser facilmente identificáveis. Dessa forma, recomenda-se reposicionar o botão em região de acesso mais natural (como a borda interna superior da bolsa), utilizar materiais táteis diferenciados ou incorporar ícones visuais que indiquem sua função.
Da mesma forma, parte dos usuários (12,5%) relatou dificuldade em compreender imediatamente a funcionalidade da entrada USB ou não a associar ao carregamento de dispositivos móveis. Essa observação reforça a necessidade de um design mais autoexplicativo, com sinalização visual, etiquetas discretas ou um micro manual ilustrativo que facilite o uso da tecnologia. Norman (2013) destaca que a boa usabilidade depende de elementos de design que tornem evidente a forma correta de interação com o produto, ou seja, que comuniquem intuitivamente sua função e modo de uso. No caso da Mi Power, isso pode ser aprimorado com a utilização de ícones universais de energia e carregamento, que orientem o usuário de maneira clara e imediata.
Além do design funcional, alguns participantes sugeriram ajustes no acabamento interno e organização da bolsa, indicando que compartimentos menores, divisórias ou elásticos poderiam facilitar a disposição dos objetos, evitando que a iluminação perca eficiência. Embora o peso adicional da tecnologia não tenha sido considerado um problema por nenhum dos usuários, é importante assegurar que a bateria interna, fiação e componentes eletrônicos estejam protegidos, respeitando normas de segurança e ergonomia.
No que se refere à proposta de valor, a disposição de pagamento declarada (R$201 a R$300) indica um posicionamento de mercado intermediário, entre o acessório de moda e o produto tecnológico utilitário. Assim, o valor agregado deve ser reforçado não apenas na funcionalidade, mas também na estética, percepção de qualidade e na comunicação da marca. Como afirmam Kotler e Keller (2012), a diferenciação percebida deve ser reforçada por todos os elementos do composto de marketing, e não apenas pelo produto em si.
Durante os testes, surgiram duas sugestões especialmente relevantes: um participante destacou que a bolsa seria útil para abrir objetos dentro de casa, no próprio quarto, sem a necessidade de acender as luzes do cômodo. Outro participante sugeriu que o produto seria vantajoso para pessoas que praticam atividades ao ar livre, como trilhas e acampamentos. Essas observações fornecem insights valiosos sobre o perfil do consumidor-alvo, evidenciando usos tanto domésticos quanto recreativos, o que pode orientar estratégias de design e marketing do produto.
Por fim, recomenda-se que as próximas etapas do projeto incluam: (i) ajuste físico do protótipo com base nas observações relatadas; (ii) testes adicionais com público ampliado e diversificado; (iii) análise de viabilidade técnica para padronização dos componentes e certificações de segurança elétrica; (iv) definição do modelo de negócio, considerando produção própria, terceirização ou licenciamento. Esses ajustes são naturais em projetos de inovação e reforçam o conceito de “protótipo evolutivo”, conforme defendido por Tidd e Bessant (2015), no qual cada teste contribui para a melhoria contínua do produto.
A análise financeira da Mi Power teve como objetivo avaliar a viabilidade econômica do produto, considerando três cenários de preço de venda — R$ 200,00, R$ 250,00 e R$ 300,00 — e seus respectivos impactos sobre a margem de contribuição. Essa margem representa o valor que permanece disponível após o pagamento dos custos variáveis, sendo fundamental para cobrir despesas fixas, reinvestimentos e garantir a sustentabilidade do negócio.
O custo de produção unitário da bolsa totaliza R$ 130,00, incluindo materiais físicos e mão de obra especializada. Esse valor foi calculado a partir dos insumos utilizados na confecção da bolsa e da integração dos componentes eletrônicos, como tecido, acabamentos, módulo USB Power Bank, baterias e fita LED. Assim, o custo total representa o investimento necessário para produzir cada unidade da Mi Power.
A composição do custo de mercadoria vendida (CMV) da Mi Power inclui os seguintes itens: tecido (material externo e forro), zíperes, acabamento e mão de obra de montagem e costura, totalizando R$ 60,00; módulo USB Power Bank carregador de bateria 18650, no valor de R$ 23,00; bateria recarregável Knup KP-18650 3,7V 3800mAh por R$ 15,00; bateria Samsung 18650 original 3,7V 2000mAh por R$ 26,00; fita LED no valor de R$ 5,00; e haste de solda custando R$ 1,00. O custo total estimado dos materiais é de R$ 130,00.
Com base nesse custo de produção, foram elaborados três cenários financeiros para avaliar o comportamento da margem de contribuição diante de diferentes faixas de preço. Cada cenário considera os custos variáveis adicionais, como impostos e embalagens, permitindo observar a proporção dos custos e a viabilidade de cada opção de preço.
No Cenário 1, com preço de venda de R$ 200,00, o custo total de produção somado aos impostos e embalagens alcança R$ 160,00, resultando em margem de contribuição de R$ 40,00, equivalente a 20% do valor de venda. Esse percentual é considerado baixo e insuficiente para cobrir custos fixos, marketing e despesas administrativas, comprometendo a viabilidade do negócio.
No Cenário 2, com preço de R$ 250,00, o custo total atinge aproximadamente R$ 167,50, gerando uma margem de contribuição de R$ 82,50, equivalente a 33%. Esse cenário apresenta maior equilíbrio entre custo e rentabilidade, demonstrando-se financeiramente sustentável para um estágio inicial de comercialização.
O Cenário 3, com preço de R$ 300,00, resulta em custo total de cerca de R$ 175,00 e margem de contribuição de R$ 125,00 (42%). Embora seja o cenário mais lucrativo, pode enfrentar resistência do público em relação ao preço final, exigindo validação mais aprofundada da aceitação do consumidor.
A análise dos resultados indica que o Cenário 1 (R$ 200,00) apresenta margem de contribuição reduzida (20%), o que compromete a viabilidade do negócio, já que dificilmente cobriria custos fixos, marketing e despesas administrativas. O Cenário 2 (R$ 250,00) demonstra equilíbrio entre custo e rentabilidade, com margem de 33%, sendo o mais adequado para um estágio inicial de comercialização. O Cenário 3 (R$ 300,00) oferece a melhor margem (42%), garantindo maior retorno financeiro, embora possa enfrentar resistência do público em relação ao preço final. Esses resultados reforçam a importância de uma precificação estratégica que alinhe valor percebido e competitividade de mercado. Segundo Kotler e Keller (2012), consumidores estão dispostos a pagar mais quando percebem benefícios diferenciados e exclusivos, o que justifica o posicionamento da Mi Power em uma faixa intermediária a premium. Com o aumento da escala de produção, a empresa tende a obter redução dos custos unitários por meio de economias de escala e maior eficiência produtiva, ampliando sua margem de contribuição e capacidade de reinvestimento. Conforme Dornelas (2018), a sustentabilidade financeira de novos produtos está relacionada à capacidade de transformar inovação em eficiência econômica, permitindo crescimento escalável e competitivo. Nesse sentido, a Mi Power apresenta potencial de inserção comercial promissor, especialmente no cenário intermediário de preço, combinando inovação, funcionalidade e viabilidade financeira. Assim, a sustentabilidade financeira da Mi Power está diretamente relacionada à sua capacidade de atingir volumes de produção mais altos, tornando o produto mais competitivo no mercado e maximizando o retorno sobre o investimento.
A Mi Power é uma bolsa moderna que integra uma bateria interna de lítio e função de recarga para dispositivos móveis, o que exige a adoção de medidas rigorosas de segurança para garantir um uso confiável e evitar riscos elétricos, térmicos e de manuseio.
No aspecto elétrico, devem ser utilizadas baterias certificadas (como CE, RoHS, ANATEL ou UL) e um circuito de proteção BMS (Battery Management System), que impede sobrecargas, curtos-circuitos e superaquecimentos. Além disso, é essencial assegurar o isolamento interno dos fios e partes metálicas, o uso de portas USB vedadas contra sujeira e líquidos e a presença de um sistema de desligamento automático após o carregamento completo do dispositivo, prevenindo falhas elétricas e prolongando a vida útil dos componentes.
Em relação à segurança térmica, o projeto deve garantir ventilação adequada e o uso de materiais que suportem temperaturas de até 60 °C, evitando o superaquecimento da bateria. Também se recomenda evitar a exposição prolongada ao sol e o carregamento em ambientes fechados, como o interior de veículos, onde o calor pode se acumular e elevar o risco térmico.
No que diz respeito à proteção contra umidade, é fundamental que a bolsa apresente vedação interna na área da bateria, zíper impermeável e etiquetas de advertência orientando o usuário a não submeter o produto à imersão em água. Também é recomendado que os cabos sejam desconectados antes da limpeza da bolsa, garantindo a segurança durante o manuseio.
Quanto à segurança no transporte, a Mi Power deve obedecer às normas da ANAC referentes a produtos com baterias de lítio, mantendo capacidade máxima de 100 Wh para transporte em voos. O produto deve ser transportado na bagagem de mão, conter bateria acessível para inspeção e possuir etiqueta informativa indicando a presença da bateria e instruções para transporte seguro.
Por fim, a segurança do usuário deve ser uma prioridade permanente. O produto deve ser acompanhado de um manual ilustrado, contendo instruções sobre o carregamento, compatibilidade de carregadores e cuidados gerais. Além disso, recomenda-se a realização de testes de qualidade e a aplicação de selos de conformidade e garantia, reforçando o compromisso da marca com a segurança elétrica e a confiabilidade do produto.
Este capítulo apresenta as considerações finais do projeto Mi Power, sintetizando os principais resultados obtidos, as implicações práticas do estudo e os caminhos futuros para a consolidação do produto no mercado. As etapas de pesquisa, desenvolvimento e teste de usabilidade permitiram validar a proposta de valor da bolsa, evidenciando seu potencial de inserção comercial e suas contribuições para o design de produtos funcionais e tecnológicos. A seguir, são descritas as recomendações para continuidade do projeto e a conclusão geral da pesquisa.
O próximo passo é transformar a Mi Power em uma oportunidade comercial viável. O foco deve estar em testar o produto no mercado real, reduzir custos de produção e avaliar a alternativa mais vantajosa entre a produção em pequena escala, o licenciamento da ideia ou a busca de investidores para expansão.
Recomenda-se confeccionar um pequeno lote piloto, entre dez e vinte unidades, destinado à venda direta e coleta de feedback real dos consumidores. Essa produção inicial pode ser realizada artesanalmente ou com o apoio de uma costureira parceira, permitindo validar o interesse de compra, o preço ideal e as melhorias necessárias antes de ampliar o investimento em escala industrial.
Outro passo essencial é o registro da marca Mi Power no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), a fim de proteger o nome e fortalecer a identidade do produto. O registro de patente do design ou da função tecnológica pode ser avaliado futuramente, mas, neste estágio, a proteção da marca e do conceito já garante segurança jurídica e valor estratégico.
Além da proteção jurídica, a consolidação mercadológica requer a definição e o teste da identidade da marca. O nome Mi Power evoluiu a partir de Lumi Power Bag até alcançar uma forma mais curta, memorável e com conotação de empoderamento (“meu poder”), coerente com a proposta de autonomia energética do produto. O logotipo, figura 3, foi concebido para comunicar, de modo simples e direto, tecnologia e praticidade: o símbolo inspirado na letra “M” remete ao contorno de uma bolsa, enquanto o “i” vertical, com “POWER” em seu interior e o ponto representando o usuário, reforça os atributos de energia e iluminação interna. Essa identidade visual sustenta a diferenciação percebida e orienta diretrizes de aplicação em embalagens, canais digitais e materiais de ponto de venda (PDV). O detalhamento do racional de nome e logotipo encontra-se no Apêndice.
Figura 3 – Logotipo da marca Mi Power
Fonte: autor.
A comercialização inicial deve ocorrer por meio de canais de baixo custo e alto potencial de visibilidade, como marketplaces (Shopee, Mercado Livre, Elo7), redes sociais (Instagram e TikTok) e feiras locais ou universitárias. Essas estratégias permitem validar a aceitação do público e criar uma base de clientes inicial, contribuindo para o fortalecimento da marca sem grandes investimentos.
A formação de parcerias com costureiras independentes, cooperativas ou pequenas confecções é uma alternativa viável para ampliar a produção de forma flexível e sem elevação significativa de custos fixos. Também se pode adotar o modelo de consignação com lojas de acessórios, ampliando o alcance e a presença do produto no ponto de venda físico.
No âmbito financeiro, é fundamental calcular o ponto de equilíbrio e acompanhar as margens de contribuição, garantindo que o volume de vendas cubra os custos de produção e gere rentabilidade sustentável. O aumento da escala tende a reduzir o custo unitário e ampliar o retorno do investimento, consolidando a viabilidade econômica da operação.
Para fortalecer o posicionamento da marca, recomenda-se adotar estratégias de marketing digital acessíveis, como a criação de uma identidade visual moderna e leve, o uso de vídeos curtos demonstrando o uso real do produto e parcerias com influenciadores de perfis compatíveis com o público-alvo.
Após a validação de mercado, a Mi Power poderá seguir diferentes trajetórias estratégicas, desde a consolidação como negócio próprio até o licenciamento ou a captação de investidores, conforme apresentado na figura a seguir.
Figura 5 – Caminhos Estratégicos
Fonte: autor.
Nota: Caminhos estratégicos de desenvolvimento e crescimento da Mi Power após a fase de validação de mercado, considerando diferentes níveis de autonomia, investimento e escalabilidade.
Esses encaminhamentos representam um roteiro prático e adaptável para a evolução do projeto, permitindo que a Mi Power avance de uma fase experimental para uma operação comercial consolidada. A escolha entre os caminhos estratégicos dependerá da capacidade de produção, do capital disponível e das oportunidades de parceria que surgirem no processo de maturação da marca. Independentemente da alternativa adotada, o produto já demonstra potencial competitivo para ocupar um nicho inovador no mercado de acessórios tecnológicos.
Com base no feedback coletado nos testes de usabilidade, recomenda-se melhorar a visibilidade do botão de acionamento da iluminação, sinalizar melhor a entrada USB e adicionar compartimentos internos.
A Mi Power deve obter certificações de segurança como CE, RoHS, ANATEL e UL antes de sua comercialização.
Recomenda-se posicionar a Mi Power no Cenário 2 (R$ 250,00), que oferece equilíbrio entre margem de contribuição (33%) e aceitação de preço pelo mercado.
Utilizar e-commerce como canal principal, complementado por lojas de moda e tecnologia. Estabelecer parcerias com influenciadores digitais para amplificar alcance e credibilidade.
A pesquisa de mercado revelou que o público-alvo da Mi Power é majoritariamente jovem-adulto (entre 18 e 34 anos), composto em sua maioria por mulheres, estudantes e profissionais em início ou meio de carreira. Esse perfil valoriza produtos práticos, acessíveis e que otimizem a rotina urbana, especialmente em grandes centros, onde o tempo fora de casa é elevado. Em relação à renda, a maioria dos participantes declarou receber até três salários-mínimos, reforçando a importância de manter o preço do produto abaixo de R$300,00 para garantir atratividade e competitividade.
As principais dores identificadas foram a dificuldade em encontrar objetos dentro da bolsa em ambientes escuros e a falta de bateria no celular, situações recorrentes entre os respondentes. Essas necessidades validam diretamente as funcionalidades centrais da Mi Power: iluminação interna por LED e entrada USB para recarga de dispositivos. O interesse foi elevado em cada função de forma isolada, e ainda maior quando ambas foram combinadas, indicando que a proposta integrada do produto amplia a percepção de valor e conveniência.
Durante os testes de uso, a maioria dos participantes avaliou o produto de forma positiva, destacando que a iluminação realmente facilitou a localização de itens e que o carregamento via USB funcionou conforme o esperado, sendo considerado a funcionalidade mais útil. Pequenas dificuldades foram relatadas quanto à localização do interruptor e à compreensão inicial da entrada USB, sugerindo ajustes futuros de design e ergonomia.
Quanto ao peso, praticamente todos afirmaram que ele não seria um fator impeditivo de compra, descrevendo o produto como leve e confortável. A intenção de compra também se mostrou elevada: a maioria declarou disposição em pagar cerca de R$100,00 a mais por bolsas com essas funcionalidades. O preço total mais aceito variou entre R$201,00 e R$300,00, faixa considerada justa e coerente com o valor percebido.
De modo geral, os resultados confirmam que a Mi Power atende a necessidades reais dos consumidores e apresenta alto potencial de aceitação no mercado brasileiro, desde que mantenha preço acessível, design funcional e comunicação clara sobre seus benefícios. Mesmo os participantes que fizeram críticas pontuais reconheceram o caráter inovador e o valor agregado do produto, especialmente em contextos como viagens, trabalho noturno e situações imprevistas fora de casa.
Conclui-se, portanto, que a Mi Power reúne atributos de inovação, utilidade e diferenciação competitiva, sendo um produto com viabilidade técnica, mercadológica e econômica comprovada pelas etapas de pesquisa e teste. A continuidade do projeto, com foco na produção piloto, certificação técnica e fortalecimento da marca, representa uma oportunidade concreta de inserção no mercado de acessórios inteligentes, unindo design, tecnologia e sustentabilidade em uma proposta de valor contemporânea e relevante para o consumidor moderno.
Além dos resultados práticos alcançados, este projeto evidencia a importância da pesquisa aplicada como instrumento de inovação e empreendedorismo, demonstrando como a integração entre conhecimento científico, design e observação de mercado pode gerar soluções concretas para demandas cotidianas. O processo de desenvolvimento da Mi Power reforça o papel do pesquisador como agente de transformação, capaz de transformar ideias em oportunidades sustentáveis e de contribuir para o avanço da economia criativa e tecnológica no contexto brasileiro.
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O questionário estruturado foi desenvolvido para coletar informações sobre o comportamento do consumidor, necessidades identificadas e disposição de pagamento.
1. Faixa etária:
Marcar apenas uma opção.
( ) Menos de 18 anos
( ) 18 a 25 anos
( ) 26 a 35 anos
( ) 36 a 45 anos
( ) 46 a 55 anos
( ) Acima de 55 anos
2. Gênero:
Marcar apenas uma opção.
( ) Feminino
( ) Masculino
( ) Prefiro não dizer
3. Ocupação:
Marque todas que se aplicam.
☐ Estudante
☐ Profissional liberal/autônomo
☐ Empregado em tempo integral
☐ Empregado em tempo parcial
☐ Empresário(a)
☐ Desempregado(a)
☐ Aposentado(a)
☐ Outro: _______
4. Renda mensal:
Marcar apenas uma opção.
( ) Até R$ 2.000,00
( ) Entre R$ 2.001,00 e R$ 5.000,00
( ) Entre R$ 5.001,00 e R$ 10.000,00
( ) Acima de R$ 10.000,00
( ) Prefiro não dizer
5. Região onde mora no Brasil:
Marcar apenas uma opção.
( ) Norte
( ) Nordeste
( ) Centro-Oeste
( ) Sudeste
( ) Sul
6. Com que frequência você tem dificuldade em encontrar objetos dentro da sua bolsa, especialmente em ambientes com pouca iluminação?
Marcar apenas uma opção.
( ) Sempre
( ) Frequentemente
( ) Às vezes
( ) Raramente
( ) Nunca
7. Interesse em iluminação interna:
Marcar apenas uma opção.
( ) Sim, muito interessado(a)
( ) Sim, um pouco interessado(a)
( ) Indiferente
( ) Não muito interessado(a)
( ) Nada interessado(a)
8. Frequência em ficar sem bateria fora de casa:
Marcar apenas uma opção.
( ) Sempre
( ) Frequentemente
( ) Às vezes
( ) Raramente
( ) Nunca
9. Interesse em entrada USB na bolsa:
Marcar apenas uma opção.
( ) Sim, muito interessado(a)
( ) Sim, um pouco interessado(a)
( ) Indiferente
( ) Não muito interessado(a)
( ) Nada interessado(a)
10. Interesse em ambas as funcionalidades (LED e USB):
Marcar apenas uma opção.
( ) Sim, definitivamente
( ) Talvez, dependendo do preço
( ) Indiferente
( ) Não acho necessário
( ) Não, não gostaria
11. Funcionalidade mais útil:
Marcar apenas uma opção.
( ) Iluminação interna
( ) Entrada USB para carregar o celular
( ) Ambas são igualmente úteis
( ) Nenhuma das duas
12. Tamanho preferido da bolsa:
Marque todas que se aplicam.
☐ Pequena (para itens essenciais)
☐ Média (para uso diário)
☐ Grande (para carregar mais objetos)
☐ Mochila
☐ Outro: _______
13. Valor máximo que pagaria pelo produto:
Marcar apenas uma opção.
( ) Até R$ 100,00
( ) Entre R$ 100,00 e R$ 200,00
( ) Entre R$ 200,00 e R$ 300,00
( ) Mais de R$ 300,00
14. Comentário adicional:
Pergunta não obrigatória — resposta aberta.
Os testes de usabilidade foram conduzidos com 24 participantes, cada um testando o protótipo funcional e fornecendo feedback estruturado através de questionário.
Participante 1: A iluminação interna funcionou bem e facilitou encontrar os itens dentro da bolsa. O carregamento do celular ocorreu sem problemas. Considerou a função de carga a mais útil no dia a dia. O peso não influencia a compra. Pagaria até R$100 a mais, total entre R$201 e R$300. Experiência positiva.
Participante 2: A iluminação interna foi muito útil e o carregamento funcionou corretamente. Ambas as funções foram consideradas práticas. O peso não interfere. Pagaria R$100 a mais, total entre R$201 e R$300. Avaliação positiva.
Participante 3: Iluminação funcionou, mas houve dificuldade em encontrar o interruptor. A comunicação visual precisa melhorar. Não percebeu de imediato que a bateria servia para carregar o celular. Não compraria, mas vê potencial para público de esportes. Sugere vender o kit separadamente.
Participante 4: Experiência positiva e diferenciada. Iluminação e carregamento funcionaram bem. Considerou o carregamento mais útil. Pagaria até R$100 a mais, total até R$100. Achou o produto inovador.
Participante 5: Iluminação eficaz e carregamento funcional. Achou a iluminação mais útil. Pagaria R$100 a mais, total até R$200. Considerou funcional e prática.
Participante 6: Iluminação eficiente e carregamento perfeito. Considerou ambas as funções muito úteis. Peso não interfere. Pagaria R$100 a mais, total até R$300. Experiência excelente.
Participante 7: Luz ajudou muito e carregamento funcionou bem. Preferiu o carregamento como função principal. Pagaria R$100 a mais, total entre R$201 e R$300. Produto prático.
Participante 8: Iluminação prática e carregamento satisfatório. Considera o carregamento mais útil. Pagaria R$100 a mais, total entre R$201 e R$300. Experiência positiva.
Participante 9: Iluminação e carregamento funcionaram bem. Considerou ambas úteis. Pagaria R$100 a mais, total entre R$201 e R$300. Produto com bom potencial.
Participante 10: Iluminação eficiente e carregamento funcionando como esperado. Preferiu o carregamento. Pagaria R$100 a mais, total até R$200. Experiência positiva.
Participante 11: Iluminação foi útil e carregamento sem problemas. Achou ambas úteis. Pagaria R$100 a mais, total até R$300. Produto funcional.
Participante 12: Luz interna prática e carregamento útil. Preferiu o carregamento. Pagaria R$100 a mais, total até R$200. Experiência positiva.
Participante 13: Ambas funções ajudaram e funcionaram bem. Útil especialmente em viagens. Pagaria R$100 a mais, total até R$300. Experiência agradável.
Participante 14: Iluminação funcionou, porém poderia ser mais forte. Carregamento útil. Preferiu o carregamento. Pagaria R$100 a mais, total entre R$201 e R$300. Boa proposta.
Participante 15: Iluminação funcional e carregamento normal. Ambas práticas. Pagaria R$100 a mais, total até R$200. Experiência satisfatória.
Participante 16: Iluminação eficiente e carregamento bom. Funções igualmente úteis. Pagaria R$100 a mais, total até R$300. Boa experiência.
Participante 17: Iluminação perfeita e carregamento atendendo expectativas. Ambas funções úteis. Pagaria R$100 a mais, total até R$300. Produto moderno e funcional.
Participante 18: Luz ajudou, mas o botão poderia ser mais visível. Carregamento bom. Preferiu o carregamento. Pagaria R$100 a mais, total até R$300. Avaliação positiva.
Participante 19: Iluminação eficiente e carregamento sem falhas. Preferiu o carregamento. Pagaria R$100 a mais, total entre R$201 e R$300. Experiência positiva.
Participante 20: Iluminação funcionou, mas botão difícil de encontrar. Carregamento ok. Preferiu carregamento. Pagaria R$100 a mais, total até R$300. Bom, mas sugere melhora no design.
Participante 21: Iluminação satisfatória e carregamento bem-sucedido. Considerou o carregamento mais útil. Pagaria R$100 a mais, total até R$200. Gostou da experiência.
Participante 22: Iluminação facilitou achar objetos. Carregamento funcional. Ambas úteis. Pagaria R$100 a mais, total até R$300. Experiência satisfatória.
Participante 23: Iluminação ajudou bastante e carregamento funcional. Preferiu carregamento. Pagaria R$100 a mais, total entre R$201 e R$300. Boa experiência.
Participante 24: Iluminação eficiente e carregamento funcional. Carregamento mais útil. Pagaria R$100 a mais, total até R$300. Experiência positiva.
DESENVOLVIMENTO DO NOME E DO LOGOTIPO MI POWER: Este apêndice apresenta o processo de criação do nome e do logotipo da marca Mi Power, elaborado pelo próprio autor como parte do desenvolvimento conceitual do produto. O objetivo é evidenciar a coerência entre o design, o propósito funcional da bolsa e a identidade visual da marca, consolidando a proposta de inovação tecnológica e estética.
Explicação do nome Mi Power: O nome do projeto passou por um processo de evolução que acompanhou o desenvolvimento do produto e da identidade da marca. Inicialmente, o nome escolhido foi Lumi Power Bag. O termo “Lumi” surgiu da palavra “iluminação”, remetendo à principal funcionalidade da bolsa: a capacidade de iluminar o próprio interior. Já “Power” faz referência à energia necessária para o funcionamento dos recursos tecnológicos, enquanto “Bag” reforça o fato de se tratar de uma bolsa.
Com o tempo, percebeu-se que o nome era extenso e poderia dificultar a lembrança e a identificação da marca. Assim, o nome foi encurtado para Mi Power Bag e posteriormente simplificado para Mi Power. Essa simplificação não apenas tornou o nome mais curto e fácil de pronunciar, mas também trouxe um significado simbólico mais forte. A palavra “Mi”, quando pronunciada em português, soa como “me” em inglês, que significa “meu”. Dessa forma, a expressão Mi Power pode ser interpretada como “meu poder”, transmitindo uma mensagem de empoderamento e valorização do consumidor.
Explicação do desenvolvimento do logotipo Mi Power: O logotipo Mi Power foi criado para representar uma bolsa inovadora, capaz de iluminar o próprio interior com luzes integradas. O conceito visual combina simplicidade e significado, comunicando tecnologia, praticidade e personalidade.
O símbolo principal, que lembra a letra “M”, faz referência direta ao nome da marca Mi Power. Além disso, sua forma fluida e curvada foi desenhada para remeter ao contorno de uma bolsa, estabelecendo uma conexão visual imediata com o produto.
Ao lado, a letra “i” complementa o nome e possui um papel simbólico importante: dentro dela está escrita a palavra POWER, que reforça a ideia de energia e inovação. O ponto acima do “i” representa uma pessoa, simbolizando o usuário — o centro da experiência proporcionada pela marca.
O formato vertical do “i” e a palavra POWER inserida em seu interior também remetem à ideia de iluminação, reforçando o conceito de uma bolsa que brilha por dentro, unindo funcionalidade e estilo.
Em conjunto, o logotipo cria uma identidade moderna, limpa e memorável, que reflete o caráter tecnológico e criativo do produto.
Autor: Wivison Soares Baia
Instituição: Faculdade Sebrae - Bacharelado em Administração
Orientadora: Rosmary Cardoso Saad
Local: São Paulo
Ano: 2025
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